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Por que as terras raras viraram peça central da geopolítica

1 ago 2026 · 8 min de leitura

Por que as terras raras viraram peça central da geopolítica
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As terras raras são um conjunto de dezessete elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs de alta performance, usados em produtos que vão de smartphones a turbinas eólicas e sistemas militares avançados.

Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente raros em termos geológicos, mas a extração e o refino em escala economicamente viável estão concentrados em poucos países, o que cria um gargalo estratégico na cadeia global de fornecimento.

A China domina hoje grande parte do processamento mundial desses elementos, uma posição construída ao longo de décadas de investimento estatal em infraestrutura de refino, enquanto outros países historicamente priorizaram apenas a extração do minério bruto sem investir na etapa de processamento.

Essa concentração de fornecimento transformou as terras raras em um instrumento de negociação em disputas comerciais, já que restrições de exportação afetam diretamente setores inteiros da indústria de tecnologia e defesa em outros países, incluindo fabricantes de armamentos e equipamentos militares.

Governos ao redor do mundo têm anunciado planos para diversificar fontes de fornecimento, incluindo reabertura de minas antigas e investimento em tecnologias de reciclagem de ímãs presentes em eletrônicos descartados, uma alternativa que ainda representa uma fração pequena da oferta total.

Os Estados Unidos, por exemplo, reabriram a mina de Mountain Pass, na Califórnia, que havia ficado inativa por anos devido à concorrência de preços mais baixos praticados por produtores chineses, um movimento que reflete a nova prioridade estratégica dada ao setor.

Empresas de defesa e tecnologia ocidentais têm firmado contratos de longo prazo com fornecedores alternativos como forma de reduzir a exposição a eventuais restrições futuras, mesmo que isso signifique pagar um prêmio sobre o preço praticado pelos fornecedores chineses.

O tema deve seguir em evidência nos próximos anos, já que a transição energética global depende fortemente de tecnologias, como motores elétricos e turbinas eólicas, que utilizam esses materiais em quantidade significativa, tornando o acesso a terras raras uma questão de segurança econômica para diversos países.

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